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sábado, 7 de agosto de 2010

Nosso tempo acabou!


Dr. Leonard Stern (Kevin Pollak) é um bem sucedido psicanalista, dono de uma vida rigidamente organizada e previsível. No seu cronograma, o mesmo tempo que falta para as amenidades da própria vida sobra para o tratamento de seus pacientes, cujas análises são conduzidas por anos a fio. Mas a súbita notícia de que lhe restam apenas seis semanas de vida altera dramaticamente sua rotina e seus métodos. Sob essa nova perspectiva, acaba por redefinir suas prioridades pessoais e a tratar seus pacientes com uma brutal honestidade, buscando ajudá-los, dentro do curto período de que dispõe, a superar as próprias dificuldades de uma vez por todas.

Esta é a história do curta-metragem "Our Time is Up" ("Nosso tempo acabou"), 2004, escrito, produzido e dirigido por Rob Pearlstein, um produtor estadunidense de televisão, com a colaboração de Pia Clemente e Loren Mendell. O filme, que também conta com a participação especial de Jorge Garcia da série Lost, recebeu a indicação ao Oscar de melhor curta-metragem em 2005. Apresentando um bom compromisso entre dois gêneros distintos, drama e comédia, o filme trata, com muito bom humor, de um tema caro a qualquer ser humano: a finitude da própria vida. Seus cerca de quinze minutos de duração conferem a necessária objetividade à produção, mas sem comprometer a profundidade da reflexão que o tema enseja.

Afinal, apesar das peculiaridades da história, o destino do Dr. Stern é idêntico ao de qualquer outro mortal. A única diferença é a consciência adquirida sobre a insuficiência do tempo de vida disponível para se dar conta de tudo o que se pretendia. Se fôssemos, talvez, mais cientes da inevitabilidade e da proximidade da própria morte, muitas das prioridades a que nos apegamos perderiam completamente o sentido. Se soubesse que lhe resta apenas uma semana de vida, faria as mesmas coisas que fará amanhã?

Aproveite enquanto seu tempo ainda não acabou!

sábado, 15 de maio de 2010

Quando Nietzsche Chorou


Sigmund Freud (1856-1939) é considerado o pai da psicanálise e sua obra é tão importante quanto polêmica. Mas, à época, vários outros profissionais também investigavam a mesma área, entre eles, seu conterrâneo, mestre e tutor Josef Breuer (1842-1925) com quem Freud compartilharia algumas publicações posteriormente. Ambos acompanharam o caso de Bertha, referida por Anna O., uma das primeiras pacientes tratadas segundo os métodos que dariam origem a algumas das principais técnicas psicanalíticas. A bela jovem que sofria de acessos histéricos, diz a lenda, teria sido alvo da paixão de vários de seus médicos, dentre os quais o próprio Breuer.

É neste contexto histórico que se desenrola o romance "Quando Nietzsche Chorou" ("When Nietzsche Wept") de Irvin D. Yalom, psiquiatra e escritor estadunidense, lançado em 1992 e adaptado para filme homônimo em 2006. Yalom mistura fatos reais e elementos de ficção sem o menor pudor e conta a história de um encontro (fictício) entre Breuer e o filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900). O filme dirigido por Pinchas Perry, apesar de aparentemente não possuir a mesma densidade do romance, apresenta bons roteiro e cenário, garantindo a diversão daqueles que se interessam pelos interessantíssimos elementos da história, romanceada ou não.

O filme começa com um encontro entre o Dr. Josef Breuer (Bem Cross) e uma excêntrica senhorita da elite austríaca, Lou Salome (Kather Winnick), que lhe pede ajuda para tratar de um amigo, o filósofo Friedrich Nietzsche (Armand Assante) por cujo intelecto se apaixonara. Nietzsche, pobre e desconhecido, cujas tendências suicidas e enxaquecas haviam se agravado após a atribulada relação com Lou, passa a ser atendido por Breuer que tenta convencê-lo a continuar com o tratamento. Mas, percebendo seu desinteresse, Breuer pede ao filósofo para ajudá-lo a se livrar das próprias angústias e exasperações. No princípio, Nietzsche se recusa de forma categórica, alegando ser meramente um filósofo — não um médico, psicanalista ou psicólogo —, dizendo-se incapaz de resolver os próprios conflitos existenciais. Mas depois de alguma insistência, acaba concordando.

A partir daí, ambos se embrenham em uma pitoresca e cada vez mais profunda relação entre médico e paciente, onde os papeis se alternam constantemente. E Breuer, que inicialmente usara suas preocupações apenas como um artifício para convencer Nietzsche, também acaba sendo forçado a enfrentar seus próprios fantasmas, tal como o distanciamento de sua família surgido a partir de uma paixão reprimida por sua antiga paciente, Bertha (Michal Yannai). Com o tempo, as respectivas odisseias em busca do auto-conhecimento vão forjando uma sincera e salutar amizade entre os dois. Inicialmente um mero espectador, o jovem Freud (Jamie Elman) se encarrega da surpresa final com uma participação chave e decisiva.

E mesmo quem não se entusiasma, nem um pouco, com o que Nietzsche queria dizer com "amar desejar, mais do que amar o objeto de desejo", ainda assim, poderá se divertir com as representações dos pesadelos de Breuer, sem se preocupar com o que Freud diria sobre este "sádico" prazer de quem as estiver assistindo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Lobisomem


Imagine a cena: você chega tarde ao cinema e descobre que não há mais sessões previstas. Como sua vontade de assistir algum filme é do tamanho da tela, confere as exibições em andamento e percebe que uma delas começara há apenas dez minutos. Mais do que rapidamente, checa as informações sobre o filme e lê no cartaz os nomes como o de Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Hugo Weaving e Emily Blunt em um clássico do terror, produzido pela monstruosa Universal Studios. Provavelmente, você pensa, deve valer a pena correr e pegar um lugar.

Cinematográfico engano! O Lobisomem (The Wolfman), recém estreado no Brasil, dilacera, com a violência própria do monstro homem-lobo, as credenciais que seu elenco e produção lhe proporcionam. O filme dirigido por Joe Johnston é uma refilmagem da história publicada no final da década de 1880. Exceção feita à vila inglesa onde se passa a história e o destino do irmão do protagonista, o roteiro segue a mesma linha da história original.

Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) retorna da América pela ocasião da morte de seu irmão Ben Talbot (Simon Merrels) na sua cidade natal, Blackmore, na Inglaterra vitoriana. Lá encontra seu pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins), a noiva de seu irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), e todos os fantasmas de seu passado, tais como a morte de sua mãe, a estranheza de seu pai e o período que ficara internado no manicômio.

Ao perseguir o monstro suspeito de matar seu irmão, é atacado por ele e passa, também, a carregar consigo a maldição da licantropia. Um inspetor da Scotland Yard, Aberline (Hugo Weaving), é designado para investigar o caso, mas se depara com uma série de acontecimentos inexplicáveis racionalmente. No desenrolar do enredo, também, há várias cenas que se passam na antiga cidade Londres.

Com um texto cheio de "clichês" e personagens estereotipados, o filme só se sustenta pela atuação de seu elenco e pelo "clássico" da história que lhe deu origem. Parcos efeitos especiais, poucos belos cenários e fatos desconexos complementam o horror do filme.

E para ninguém dizer que a crítica é de todo horripilante, parece que o uivo do lobisomem foi produzido com base na voz de um barítono e ficou legal. Talvez você queira conferir...


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Na Natureza Selvagem


Há vinte anos atrás, um jovem, Christopher McCandless (Emile Hirsch), 22 anos, larga tudo e parte para uma experiência única em busca de si mesmo. Inconformado com as mentiras em seu próprio meio familiar e com o materialismo a que a sociedade se condenou, Christopher abandona seu carro, doa todas suas economias à caridade, queima o dinheiro que carregava, muda de identidade, adotando o nome de Alexander Supertramp, e passa a vagar pela América do Norte apenas com o mínimo necessário, longe aos olhos da formalidade, desaparecendo, assim, para seus familiares.

Ao longo de sua jornada — empreendida à pé, de carona, ou mesmo clandestinamente de trem e de caiaque, estendendo-se até o México — vai se relacionando com várias pessoas que o influenciam e também são influenciadas por ele, porém somente alguns clássicos literários, como Thoreau e Tolstoi, acompanham-no, efetivamente. Seu objetivo final era o Alasca, onde poderia viver por algum tempo completamente isolado e em absoluta comunhão com a natureza selvagem.

O filme, dirigido por Sean Penn, baseia-se no livro homônimo do jornalista Jon Krakauer que conta a história real de Christopher Johnson McCandless. Na Natureza Selvagem ("Into The Wild") foi produzido em 2007, depois que a família do jovem finalmente concordou ceder os direitos da história para o cinema. O trabalho não decepcionou e, além da deslumbrante fotografia e da premiada trilha sonora, ainda conta com a atuação de destaque de Emile Hirsch.

O drama também abre espaço para uma série de reflexões relevantes sobre as várias facetas do ser humano e suas relações sociais, como sobre o modo de vida a qual sociedade moderna se condenou, as atitudes de cada um com relação à própria existência e a revelação de verdades pessoais que só o auto-conhecimento pode trazer. Tal como no final quando o jovem compreende que, apesar de condenar a arrogância de seu pai, não havia tido uma atitude muito diferente ao deixar sua família completamente sem notícias, registrando, então, em seus apontamentos: "happiness only real when shared" (ou em tradução livre, "a felicidade só é verdadeira quando compartilhada").

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Estômago, o Filme.


Uma boa pedida para "encher o bucho" dos cinéfilos nacionais é o filme Estômago dirigido por Marcos Jorge, estreando na direção de um longa-metragem. Foi a primeira co-produção cinematográfica realizada a partir do acordo de co-produção bilateral Brasil-Itália, assinado no início dos anos 1970 e, também, o filme mais premiado de 2008, vencendo 15 prêmios no exterior e 20 no Brasil, entre eles o de Melhor Filme, Melhor Filme pelo Público, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante pela Academia Brasileira de Cinema. Mas se você não tinha ouvido falar dele, não se assuste. Sem alguma grande produtora estadunidense por trás, a divulgação fica meio comprometida mesmo.

A história conta a trajetória, ascensão e queda, de um migrante nordestino, Raimundo Nonato (João Miguel), que chega à São Paulo para tentar a sorte na cidade grande. Sem nenhum centavo no bolso e morto de fome, come duas coxinhas em um boteco da região central e, para não apanhar do dono, Miro (Zeca Cenovicz), já que não tinha os R$ 4,00 para pagar a conta, acaba limpando a cozinha do estabelecimento ao final do expediente. No dia seguinte, como também não tinha onde ficar, aceita o convite para trabalhar ali, em troca de cama e comida somente. Aprendendo a fazer coxinhas e pastéis, descobre um talento natural para a cozinha, chamando as atenções de uma garota de programa, Íria (Fabíula Nascimento), por quem se apaixona, e do proprietário de um restaurante italiano da redondeza, Giovanni (Carlo Briani).

Simultaneamente, também é contada a história do protagonista (já com o apelido de Alecrim) na cadeia e, para quem não sabe nada da trama, o roteiro, inicialmente, deixa a cronologia dos fatos meio no ar, esclarecendo-a apenas na medida em que o filme vai transcorrendo. Diálogos com palavreado frequentemente vulgar complementam os dois ambientes predominantes do longa: o sub-mundo da cidade e o interior de uma penitenciária. E há, ainda, uma participação especial do cantor Paulo Miklos do Titãs no papel do presidiário Etecétera.

O argumento do filme surgiu do conto "Presos pelo Estômago", de Lusa Silvestre, e trata de temas universais: o poder e a comida. Há detalhes interessantes da criação que podem passar absolutamente despercebidos, como o fato do filme começar pela boca do protagonista e terminar em seu traseiro, aludindo ao percurso do alimento no organismo. Produzido no Brasil e finalizado na Itália, a escassez de recursos financeiros não prejudicou o objetivo de agradar tanto quem procura apenas a diversão de assistir a um filme, quanto os que buscam histórias insólitas, boa fotografia e outros sutis detalhes de produção da sétima arte.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Passe Adiante!


No sábado, um filme que há tempos pensava em assistir estava disponível para locação, escondido entre outros mais antigos em uma das estantes. Havia um único exemplar e, desta vez, não hesitei e levei-o. O aspecto meio de "Sessão da Tarde" da capa e do título disfarça um excelente drama com nomes como Haley J. Osment, Kevin Spacey e Helen Hunt, além de uma rápida participação do cantor Jon Bon Jovi.

"Pay it Forward" (2000), ou "Corrente do Bem", no Brasil, baseia-se no livro de Catherine Ryan Hyde que conta a história de Trevor McKinney (Osment), um garoto de 12 anos que, ao receber um dever de casa de seu professor de Estudos Sociais, Eugene Simonet (Spacey), leva a proposta a sério e acaba inventando um método relativamente simples para melhorar o mundo. Inicialmente, sua ideia parece inócua, mas acaba tomando dimensões surpreendentes, muito além do que poderia imaginar.

Sua proposta era de que se ajudasse três pessoas e, ao invés de receber algo em troca, solicitasse a elas que fizessem o mesmo com outras três, o número de pessoas ajudadas cresceria em uma progressão geométrica, fazendo com que o mundo inteiro logo melhorasse. Começa ajudando um um sem-teto, dando-lhe de comer e roupas para que pudesse conseguir um emprego. Mesmo achando ter falhado, sua ideia se espalha, atingindo outras cidades, até que um repórter, incrédulo de que havia sido beneficiado desinteressadamente, vem ao encalço da história até chegar a Trevor.

O filme faz uma crítica à inércia que adquirimos face ao tamanho das dificuldades enfrentadas quando se tenta mudar uma situação ruim. Ao desistirmos de agir, conformando-nos, acabamos por contribuir ativamente para que nada melhore, gerando um ciclo vicioso. Com a ideia de agir localmente, pensando globalmente, a história mostra que mesmo pequenas ações são capazes de gerar efeitos significativos nas vidas de nossos semelhantes, frequentemente, devolvendo-lhes a esperança e dando origem a um ciclo virtuoso de cooperação.

Assista e se achar que a ideia é, realmente, interessante, passe adiante!

domingo, 1 de novembro de 2009

Cegos? Nós?!


O final de semana prolongado não foi só de sol, mas também de penumbra, tanto na sala de cinema quanto na sala de casa... Assisti, na sexta, dois filmes que estrearam recentemente nas grandes telas: Substitutos com Bruce Willis e Distrito 9 de Peter Jackson. Nada de especial em nenhum dos dois.

No primeiro, um policial investiga uma arma capaz de matar pessoas conectadas à realidade virtual — ao estilo "Second Life", mas utilizando androides controlados remotamente — que a sociedade adotara como uma forma segura para interagir. O destaque vai para os efeitos especiais e a visão, um tanto heterodoxa, de futuro.

Já no segundo, uma nave espacial aporta misteriosamente sobre a cidade de Joanesburgo e, após intervenção humana, os extra-terrestres são trazidos à terra firme e acabam segregados, junto com outros seres humanos, em uma espécie de gueto chamado de Distrito 9. Os conflitos começam quando decidem mudá-los de lugar... O filme vale mais pela crítica social e humana em torno do problema fictício.

Mas o filme que roubou a cena mesmo foi o de hoje, Ensaio Sobre a Cegueira, baseado no romance de José Saramago e dirigido por Fernando Meirelles. O filme é, segundo o próprio autor, representação fiel da obra literária. Além disso, traz excelentes tomadas de câmera, fantásticas composições de imagem, ótimos cenários, trilha musical originalíssima do grupo mineiro Uakti e a atuação marcante de nomes como Julianne Moore e Danny Glover.

A história se passa na atualidade, quando um surto de cegueira toma conta de toda a humanidade, com exceção da protagonista. Logo, os primeiros a apresentarem os sintomas, além da protagonista por opção própria, são encaminhados a uma espécie de sanatório e mantidos em quarentena. Não demora a chegada de outros e mais outros, até o limite da capacidade do local, quando conflitos entre os internos começam a acontecer.

Dentre os vários pontos de vista para se compreender a história, o de que já estamos todos cegos é o mais surpreendente. Vale muito a pena assistir e conferir por que!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Paz e a Guerra Pela Compreensão.


Discutindo sobre a compreensão mútua, ocorreu-me uma das cenas finais do filme "A.I. - Inteligência Artificial", lançado em 2001, criado e dirigido por dois ícones do cinema, Stanley Kubrick e Steven Spielberg, respectivamente.

Para evitar tornar este texto um "spoiler" do filme para os que ainda não tiveram o prazer de assistí-lo, omitamos os detalhes do contexto em que a cena se insere. Digamos apenas que, nela, o protagonista, em meio a uma civilização de seres futuristas, começa a ter sua "história" vista por um dos membros que o toca. Quando outro toca o primeiro, também tem acesso às mesmas informações. O ato se repete, sucessivamente, até que toda a civilização se interconectasse e, simultaneamente, ficasse ciente dos mesmos fatos.

E o que isto tem a ver com a compreensão mútua? Simples! Se houvesse uma maneira dos interlocutores compartilharem seus próprios pensamentos, provavelmente, nunca mais haveria uma discussão.

É perfeitamente razoável imaginar que, em condições normais, qualquer pessoa pensará e agirá sempre da maneira que lhe parece mais correta, baseando-se em suas próprias experiências e visão de mundo. Se pessoas diferentes compartilhassem essas informações entre si, de maneira exata, a conclusão resultante seria única e não haveria espaço para qualquer discussão. Imagine toda a humanidade, com sua diversidade praticamente infinita, pensando como se fosse um único ser...

Acontece que as pessoas se relacionam através da linguagem e vencer esta barreira não é uma das tarefas mais fáceis. Os psicanalistas, por exemplo, debatem-se com isto o tempo todo: como compreender o que se passa na mente de outra pessoa? Seria mais fácil se tivéssemos uma porta USB na orelha, ou um dispositivo do tipo "bluetooth" para conversar...

A paz e a harmonia, no entanto, dependem da tolerância, empatia, paciência e, principalmente, da compreensão de que, muito provavelmente, se um estivesse no lugar do outro, teria os mesmos pensamentos e agiria da mesma forma. Uma verdadeira batalha introspectiva, já que não se pode fazer com que o outro seja mais tolerante, empático, paciente ou compreensivo. Pode-se apenas motivá-lo nesta direção.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Emoção x Razão



Após coletar algumas sugestões do pessoal da locadora, dois filmes foram eleitos para serem assistidos: Mais Estranho que a Ficção e Sete Vidas. O primeiro, de 2006, é uma divertida comédia sobre um homem que começa a ouvir uma voz feminina narrando seus próprios atos e sentimentos, até o momento que anuncia sua morte, desencadeando uma busca desesperada do personagem para evitá-la. O segundo, estrelado por Will Smith e lançado neste ano, é um drama sobre a culpa carregada por um homem que se sente totalmente responsável pelas sete vidas ceifadas no acidente de carro em que se envolveu.

De maneiras bem diferentes, ambos tratam de um mesmo conflito, entre o que se passa no íntimo da pessoa e sua própria racionalização dos fatos. No primeiro, uma situação surreal que desafia a lógica e, no segundo, uma condição emocional que vai de encontro à racionalidade...

As manifestações artísticas, em especial a "sétima arte", usam e abusam de conflitos dessa natureza pelo fato da razão e emoção não serem de todo dissociadas. A influência das emoções sobre as inferências lógicas de um ser humano é imprevisível, simplesmente porque esta influência se estende também às premissas e argumentos nos quais se baseia todo exercício da razão. Ou, trocando em miúdos, jamais seremos como o Dr. Spock em Jornada nas Estrelas, não importando o quanto nos esforcemos para isso.

A necessidade de razão e emoção coexistirem, mais que saudável, parece ser fundamental na designação da espécie humana. Surpreendente, no entanto, é como isto pode ser tão frequentemente esquecido nas ocasiões em que se depara com uma conclusão, aparentemente ilógica, de um semelhante. Quem nunca se irritou com as ideias estapafúrdias de um interlocutor?

Compreender o ponto de vista alheio, entretanto, além de muito útil nas relações interpessoais, também o é para o auto-desenvolvimento, pois exercita a humildade. É mais ou menos como assistir um filme sabendo, previamente, seu final. Você pode até discordar do desfecho, mas ainda assim o desenrolar e as implicações ao longo da história serão, provavelmente, muito interessantes.