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sábado, 5 de junho de 2010

Terrorismo de Estado


Há uma verdade muitíssimo mais inconveniente do que aquela tratada pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, no seu documentário sobre o meio-ambiente. Algo do qual muito poucos ousam falar e que assombra qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade humana: o terrorismo de Estado. Sem carros-bomba, sem explosões suicidas e sem sequestros de aviões, esta modalidade de terrorismo já matou muito mais gente do que todo o terrorismo tradicional somado ao longo de toda história. E note que o termo empregado, "muito mais", não se refere ao dobro, triplo ou quádruplo de vítimas, mas muito mais mesmo! Se somadas todas as vítimas dos atentados terroristas movidos por vieses ideológicos, talvez não chegue a um décimo dos assassinatos promovidos, frequentemente sob o pretexto de combatê-los, por governos ao redor de todo o mundo.

O termo foi cunhado pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas para designar as ações violentas empregadas pelos governos autoritários sul-americanos na repressão aos movimentos nacionais de extrema esquerda, comuns à região na década de 1970 — ironicamente, os próprios soviéticos usaram e abusaram desse artifício para alcançar seus propósitos políticos. Atualmente, o termo se refere às ações violentas e desproporcionais de um Estado para subjugar pessoas e organizações. São exemplos claros do terrorismo de Estado os genocídios promovidos pelos governos stalinista, nazista e de Mao Tse-tung, dentre tantos outros.

O mais recente episódio ocorrido — e que ilustra perfeitamente do que se trata o terrorismo de Estado — foi a ação promovida pelo Estado de Israel no final do mês passado (31/05/2010). Agentes israelenses desceram de helicóptero, durante a noite, em um navio que tentava furar o bloqueio da Faixa de Gaza, levando ativistas civis, em sua maioria turcos, e ajuda humanitária à região. Na operação, assassinaram nove pessoas e feriram várias outras. Por mais absurdo que possa parecer, o governo israelense se justificou dizendo que foram os ativistas que começaram com a violência. Nem as pesadas críticas internacionais — inclusive dos históricos parceiros estadunidenses — nem a disposição da Organização das Nações Unidas em instaurar um inquérito internacional para investigar o caso, sensibilizaram a auto-crítica do governo de Israel o qual não parece compreender que, se não há qualquer justificativa para uma ação terrorista civil, ainda há menos justificativa para uma ação terrorista de Estado.

O terrorismo de Estado se apoia em leis e políticas públicas aparentemente legítimas e que se propõe a proteger toda a população de um país, mas, na verdade, frquentemente escondem interesses espúrios de grupos dominantes que desejam a manutenção de seu poder — não fosse assim, uma rápida análise quantitativa do que é publicado sobre terrorismo encontraria, pelo menos, um certo equilíbrio entre as duas modalidades. E as preocupações com a ampliação do debate sobre essa "verdade extremamente inconveniente" é simples: um Estado só se sustenta com o apoio da maioria de seu povo.

Assim, da próxima vez que se deparar com uma notícia sobre algum ato terrorista, não custa refletir se sua posição é, de fato, contrária ao terrorismo ou apenas favorável a alguma outra modalidade dele.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Lobisomem


Imagine a cena: você chega tarde ao cinema e descobre que não há mais sessões previstas. Como sua vontade de assistir algum filme é do tamanho da tela, confere as exibições em andamento e percebe que uma delas começara há apenas dez minutos. Mais do que rapidamente, checa as informações sobre o filme e lê no cartaz os nomes como o de Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Hugo Weaving e Emily Blunt em um clássico do terror, produzido pela monstruosa Universal Studios. Provavelmente, você pensa, deve valer a pena correr e pegar um lugar.

Cinematográfico engano! O Lobisomem (The Wolfman), recém estreado no Brasil, dilacera, com a violência própria do monstro homem-lobo, as credenciais que seu elenco e produção lhe proporcionam. O filme dirigido por Joe Johnston é uma refilmagem da história publicada no final da década de 1880. Exceção feita à vila inglesa onde se passa a história e o destino do irmão do protagonista, o roteiro segue a mesma linha da história original.

Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) retorna da América pela ocasião da morte de seu irmão Ben Talbot (Simon Merrels) na sua cidade natal, Blackmore, na Inglaterra vitoriana. Lá encontra seu pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins), a noiva de seu irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), e todos os fantasmas de seu passado, tais como a morte de sua mãe, a estranheza de seu pai e o período que ficara internado no manicômio.

Ao perseguir o monstro suspeito de matar seu irmão, é atacado por ele e passa, também, a carregar consigo a maldição da licantropia. Um inspetor da Scotland Yard, Aberline (Hugo Weaving), é designado para investigar o caso, mas se depara com uma série de acontecimentos inexplicáveis racionalmente. No desenrolar do enredo, também, há várias cenas que se passam na antiga cidade Londres.

Com um texto cheio de "clichês" e personagens estereotipados, o filme só se sustenta pela atuação de seu elenco e pelo "clássico" da história que lhe deu origem. Parcos efeitos especiais, poucos belos cenários e fatos desconexos complementam o horror do filme.

E para ninguém dizer que a crítica é de todo horripilante, parece que o uivo do lobisomem foi produzido com base na voz de um barítono e ficou legal. Talvez você queira conferir...