Ao caminhar apressadamente pelas ruas da cidade, como costuma exigir nosso moderno cotidiano, é difícil dar-se conta de quanta coisa jaz sob esse cenário aparentemente tão trivial e estéril de uma metrópole. Mas com um pouco de atenção, é possível perceber o mosaico de existências dos tantos que por ali passaram, viveram e morreram, vindo, daí, uma nuança de sentido da cidade ser como a percebemos hoje: consciente ou inconscientemente, assim a imaginaram um dia... E como tudo estará daqui alguns séculos?
Termo que parece não existir, formalmente, na Língua Portuguesa, mas ainda assim é usado, seja por assimilação da palavra a partir de outros idiomas, seja pela ideia a que nos remete. Forja-se pela junção de dois afixos gregos, significando, juntos, a forma de si mesmo, tal como nossas reflexões a respeito de nosso próprio mundo. Sendo assim, seja bem-vindo ao seu mundo...
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domingo, 31 de julho de 2011
Sob a Cidade
Ao caminhar apressadamente pelas ruas da cidade, como costuma exigir nosso moderno cotidiano, é difícil dar-se conta de quanta coisa jaz sob esse cenário aparentemente tão trivial e estéril de uma metrópole. Mas com um pouco de atenção, é possível perceber o mosaico de existências dos tantos que por ali passaram, viveram e morreram, vindo, daí, uma nuança de sentido da cidade ser como a percebemos hoje: consciente ou inconscientemente, assim a imaginaram um dia... E como tudo estará daqui alguns séculos?
sábado, 30 de abril de 2011
Encontros
"— Como?!
A pergunta, apesar de sinceramente interessada, não deixava dúvidas quanto à incredulidade que lhe ia no ser. E a despeito da proposta estapafúrdia que recebera, ainda não havia conseguido identificar ao certo se seu interlocutor estava caçoando dele ou não, tamanha era a sobriedade com que lhe fora colocada.
— O que, exatamente, o senhor não compreendeu?
— Por um instante me pareceu que o senhor propunha comprar meu tempo, literalmente?!
— Sim. E que mal há nisso?
— Que conversa mais absurda! Desde quando é possível para alguém adquirir o tempo de outrem?
— Desculpe, mas isto é um problema meu. Deseja vendê-lo ou não? Pago por minutos e pago muito bem...
Pensou em reagir, mas encerrou aquela conversa bizarra de forma educada, imaginando que, talvez, aquele senhor pudesse sofrer de algum distúrbio mental. Seguiu seu caminho, mas logo foi detido, um pouco mais adiante, por um antigo conhecido seu.
— Ora, mas que surpresa agradável encontrá-lo por aqui! Há quanto tempo não nos falamos!
— Pois é... Muito, não?! Como vai a família?
— Ótima! Meus filhos se casaram há alguns anos e meus netinhos já estão a caminho...
— Mas já? Ainda ontem eu os carregava no colo!
— As décadas voam, não? E aquele seu projeto da grande viagem com toda a família, realizou?
— Infelizmente, não. Ainda não tive uma folga no trabalho...
— E aquela sua ideia de criar uma fundação beneficente?
— E lá tive algum momento meu para pensar nisso? Tenho trabalhado demais...
— Bom, pelo menos deve estar bem financeiramente. Logo, logo poderá diminuir o ritmo e aproveitar o que a vida tem de melhor...
— Sem dúvida que sim! Mas, agora, com licença. Estou com um pouco de pressa pois tenho de chegar no banco antes que termine o expediente. Hoje é o último dia para aproveitar umas taxas de juros diferenciadas em empréstimos pessoais. De qualquer forma, foi ótimo nos encontrarmos por aqui! Nunca sobra tempo para colocarmos a prosa em dia, não é mesmo?! Lembranças à família!
Despediram-se apressadamente enquanto, ao longe, um senhor sóbrio os fitava demoradamente..."
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Tempos
Por mais estranho que a afirmação possa soar, a dura realidade é que o tempo não falta a ninguém. Tampouco existe alguém com sobra de tempo — pelo menos neste universo. O tempo — para desespero de alguns — é rigorosamente igual para todo mundo. Seja biliardário, paupérrimo, alto, baixo, gordo, magro, negro, branco, competente, incompetente, ágil, lerdo, bom ou mau caráter, não importa, os minutos disponíveis serão sempre os mesmos. O que diferencia os "tempos" das pessoas não é uma característica imanente da natureza temporal, mas a forma como a cota diária de instantes é empregada na busca pelos próprios objetivos.
Um alto executivo de uma multinacional, por exemplo, poderia olhar para um monge no Tibete e pensar como o mesmo consegue "desperdiçar" tanto do seu tempo, mas o contrário — ou seja, o mesmo pensamento, mas do monge com relação ao executivo — seria, também, igualmente factível. As diferentes análises de uma mesma situação emergem dos diversos pontos-de-vista e, consequentemente, dos respectivos critérios adotados para se estabelecer as prioridades ao longo das próprias vidas. A situação do momento também colabora para uma desigualdade na percepção do tempo, tanto que a história da "velocidade" do tempo ser diferente quando dentro ou fora do banheiro virou piada famosa na internet.
Desde Einstein, entretanto, sabe-se que os modelos físicos preveem uma efetiva alteração no passar do tempo, dependendo da velocidade em que o corpo se desloca. Quanto mais alta for a velocidade de deslocamento, mais lento é o passar do tempo. O efeito foi comprovado experimentalmente colocando-se relógios atômicos (de altíssima precisão), previamente sincronizados com outros fixos, para viajar em aviões durante longos períodos. O efeito, claro, é mínimo, mesmo em velocidades supersônicas, tornando-se significativo apenas em velocidades próximas à da luz — cerca de 300.000 km/s. De qualquer forma, pelo menos neste caso, o executivo que viajasse muitíssimo de avião talvez pudesse, ao final de toda sua vida, gabar-se de ter ganho alguns segundos em relação ao monge.
Bom seria isso funcionasse ao corrermos, como a luz, só para finalizar todos os afazeres que nos propomos...
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Tempo Estranho
"Acordou cedo, não tanto quanto planejara, mas ainda suficiente para fazer tudo o que pretendia para o dia. Vestiu-se, arrumou a cama, terminou de se arrumar no banheiro e se encaminhou à cozinha para preparar o café da manhã. Nenhuma novidade: o cereal, o leite e o café. Ingeriu tudo com uma certa pressa, afinal tinha muito o que fazer e teria apenas até o começo da noite para terminar tudo. Desejava dormir cedo para estar disposto na manhã seguinte. Escovou os dentes, sentou-se na escrivaninha e abriu um dos livros que deveria terminar de ler até o final da semana. Três parágrafos mais tarde, sentiu sede e foi novamente à cozinha buscar um pouco de água.
Saciada a sede, deixou o copo na pia e achou melhor lavar e guardar a louça do café antes que chegasse a hora do almoço. Iniciou o trabalho, mas conjecturou, também, que já era quase meio-dia e que comeria dali a pouco, assim, deixou a arrumação pela metade e retornou ao livro. Lembrou-se, entretanto, que as roupas limpas estavam por guardar desde a noite passada sobre a cômoda de seu quarto. Foi até lá arrumá-las. Peça por peça, ia separando e guardando nos devidos lugares, porém, quando faltava apenas as camisetas e as meias, viu no relógio que já passava um pouco das onze e meia da manhã. Deixou o que faltava das roupas e voltou para o livro. Havia estabelecido como meta terminar, pelo menos, aquele capítulo antes do almoço.
A leitura era bastante densa e resolveu conferir os significados de algumas palavras no dicionário para ter a certeza de que compreendera o texto adequadamente. Por segurança, achou melhor resumir todo o capítulo para que pudesse rever o conteúdo rapidamente se precisasse. Quando finalmente terminou o capítulo, quase duas horas haviam passado. Correu, então, para almoçar antes das duas horas da tarde, uma vez que teria de concluir, ainda, dois outros capítulos para que conseguisse escrever bem a primeira parte de seu trabalho.
Enxaguou um dos copos sobre a pia, serviu-se de suco, aqueceu a comida já pronta no microondas e sentou-se para almoçar. Comeu, escolheu um doce como sobremesa e juntou a louça usada com parte daquela que restara do café. Lavou tudo. Quando voltou ao livro, já eram três horas da tarde. Tornou a ler, mas quase na metade do capítulo, sentiu um sono incontrolável e achou por bem tirar um cochilo rápido de uns quinze minutos antes de continuar. O quarto de hora se transformou em dois terços e, quarenta minutos depois, levantava-se defronte à última pilha de roupas por arrumar. Sacudiu a cabeça como para espantar sua ânsia de arrumação e voltou ao livro. Não tinha terminado os capítulos planejados e sequer havia começado a escrever a introdução de seu trabalho.
Terminou o segundo capítulo e viu com espanto que escurecia rápido lá fora e viu que no relógio passava um pouco das seis. Decidiu começar a escrever algo, mesmo sem ter terminado de ler o que planejara, haja vista a necessidade de apresentar uma parte, mesmo que embrionária, de seu trabalho. Ligou o computador, checou algumas mensagens eletrônicas recém chegadas e vinte minutos depois, começou a elaborar o texto. O primeiro parágrafo demorou a tomar forma e só foi se estabilizar meia hora depois. Continuou no mesmo ritmo com o segundo, no entanto o ronco em sua barriga denunciava a hora de jantar. Comeu e sentiu sono. Era sempre assim. Olhou no relógio e viu que eram mais de oito horas quando seu colega ligou. Ficaram quase duas horas acertando os detalhes da apresentação do trabalho no dia seguinte.
Assim que desligou o telefone, voltou ao livro, mas percebeu que estava tarde e começou a arrumar o material que deveria levar no dia seguinte. Entreteu-se organizando algumas folhas de papel soltas entre suas coisas e, quando terminou, foi tomar banho. Notou as horas marcarem meia-noite e desistiu de qualquer outra coisa. Preparou-se e foi dormir, muito mais tarde do que havia previsto.A pia bagunçada, o livro deixado aberto, as roupas por guardar e o computador ligado denunciavam que aquele dia, como de costume, havia sido, de fato, cheio. Era o tempo que, estranhamente, andava muito curto."
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domingo, 16 de maio de 2010
Haikai rápido...
Dizem que em São Paulo, tudo é muito rápido! O paulista, geralmente, é pouco tolerante às perdas de tempo. Há, inclusive, quem arrisque a própria vida para ganhá-lo. Logo, os dias, as semanas, os meses e os anos, por aqui, acabam passando a uma velocidade diferente, quase alucinante. Só a cidade, propriamente dita, insiste em não compreender bem isso...
domingo, 25 de abril de 2010
Quando o mundo não para...
E para a completar a semana poeticamente, nada melhor do que se inspirar naquele a quem chamaram "poetinha", Vinicius de Moraes. Ainda referente à sua composição, apresentada em "O lado B.", o poeta afirma, em um dos versos, que não "há nada sem separação". Perguntemos, então, se mesmo com separação, ainda assim, poderia não haver nada...
terça-feira, 13 de abril de 2010
É Hora...
"— Vamos, deixe tudo como está e venha comigo.
— Não posso, há muito o que fazer ainda...
— Não há mais tempo. Venha...
— Minhas coisas... Todas minhas coisas ainda estão aqui!
— Olhe ao seu redor. O que vê?
— Além de minhas coisas? Nada...
— Pois, então. Não há mais ninguém aqui. Desapegue-se e venha comigo.
— Não posso! Minha vida está aqui!
— Você não é o que tem de carregar. Venha...
— Por que eu tenho de lhe obedecer? Você não manda em mim...
— De fato. Se eu tivesse poder sobre você, já o teria tirado daqui por minha conta. É porque não tenho que ainda estou aqui, conversando... Quero apenas o seu bem, mas não lhe posso provar. E a opção é sua, só sua. Você pode confiar em mim ou não. É um risco que terá de correr...
— E se eu não for?
— Continuará aqui. Só isso... É o que deseja?
— Não, não quero ficar só! Mas tudo o que é meu está aqui! O que eu fiz, o que deixei de fazer e o que eu ainda gostaria...
— Como lhe disse, não há mais tempo. É hora de escolher se quer ficar aqui ou seguir adiante. Se resolver ficar, terá tudo a que tanto se apega, mas não estará com aqueles com quem deseja compartilhar sua existência. Se decidir seguir, entretanto, terá de deixar tudo para trás, porém estará com os demais.
— Não posso seguir levando minhas coisas?
— Infelizmente, não. É muito peso para voar como os outros.
— É muito doloroso...
— Mas compensador!
— Bem... Vamos, então! Mas para onde?
— Para o presente..."
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Pensamentos fugazes
A postagem de hoje era outra. Foi adiada para amanhã. Isto porque, como é domingo, nada melhor do que poesia para iniciar bem a semana. Esta, por exemplo, foi escrita em uma longínqua segunda-feira de fevereiro, em 2004, inspirada em alguns momentos de devaneios ao observar a paisagem, passando ao longe, a partir da janela de algum meio de transporte. Coincidência, ou não, o mês de março que neste ano principiará exatamente em uma segunda-feira vai encerrando, para muitas pessoas, os agradabilíssimos períodos de viagens de férias.
E como dizem que a correria do ano começa agora, prepare-se para a velocidade da vida e dos pensamentos! O Automorfo receita pelo menos um poema por semana para profilaxia homeopática contra a tensão. Experimente...
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Haikai do Fim do Horário de Verão
Foi-se. O horário de verão acabou e com ele o prazer de ter o dia claro até depois das 20:00 h. Ao mesmo tempo que confunde um pouco nossos organismos, também traz a alegria da claridade por um tempo útil maior. Nos países mais setentrionais que adotam o horário de verão, como a Alemanha, por exemplo, o dia só vai morrer próximo das 22:00 h. Tem-se que admitir, entretando, que a diferença de horário é boa para alguns e péssima para outros. Quem acorda muito cedo tem de enfrentar a escuridão da noite, mas, em compensação, pode admirar, quase todo dia, o resplendoroso nascer do sol.
Mas por enquanto é só. Mais do horário de verão só no final de 2010, provavelmente... Por agora, contentemo-nos com a melancolia poética do anoitecer mais cedo...
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A Fenda no Tempo
"— O que lhe faz pensar que pode viver eternamente?— Mas eu não penso assim...
— Mas age como se pudesse.
— Você vai querer me analisar agora?
— Não. Foi você quem me disse estar agindo sem pressa na vida e me perguntou o que eu achava. Não era para responder?
— Talvez eu não quisesse, realmente, ouvir a resposta...
— Não tivesse me perguntado, então.
— Mas você acha que é possível?
— O que?
— Viver pra sempre... Ou pelo menos viver mais tempo do que se vê por aí...
— Certamente que sim. Mas para isso, você vai ter de viver com uma certa urgência, com uma certa pressa, como se amanhã fosse o último dia de sua vida.
— É... Um dia a gente acerta!
— Não estou brincando. Se quiser realizar algo relevante, terá de correr porque o tempo joga contra você. E se seu corpo é mortal, talvez sua obra não o seja. Realize-a e talvez sua presença dure a eternidade.
— Do alto da minha idade e depois de tudo o que eu passei, o que eu ainda poderia fazer? Não saberia nem por onde começar...
— Não sei. Mas talvez, procurando a certeza de que se tudo terminasse, não se arrependeria por ter deixado de fazer alguma coisa.
— Deixe de besteiras... Já estão me chamando. Vou entrar.
— Só mais uma coisa...
— O que?
— Corra..."
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domingo, 3 de janeiro de 2010
Haikai da Pressa do Verão
Em homenagem aos dias cada vez mais rápidos, principalmente os do verão, compôs-se o haikai abaixo...
E que o ritmo em 2010 desacelere um pouco, fazendo que os dias de verão se alonguem, sem que isto implique no aquecimento global, claro!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Nostalgias Econômicas
Quem já teve a oportunidade de aprender um pouco sobre a Ciência Econômica, ou Economia, para os íntimos, deve ter notado que a organização social se estrutura, necessariamente, com base no modelo econômico adotado por aquela sociedade. Algumas coisas, entretanto, são comuns a qualquer modelo, tais como as indústrias, ou produtores, e as famílias, ou consumidores. Sem querer ser excessivamente minimalista, pode-se afirmar que, basicamente, é essa relação, entre produtores e consumidores, que efetivamente determina os rumos do mercado.
Ainda me lembro de, quando criança, ter ficado deslumbrado com uma novidade eletrônica que começava a aparecer no mercado brasileiro: um microcomputador TK-85. Recordo-me de meu primo nos mostrando seu novíssimo exemplar que, com programação em BASIC adequada, era capaz de fazer uma linha — ou quem sabe um rio visto de muito, muito alto — mudar de cor no televisor. Fiquei tão maravilhado que infernizei meus pais durante todo o ano para comprarem um igual para mim. No natal, veio a surpresa: meu pai — à época também afeito àquelas modernidades — comprou um microcomputador ainda mais moderno que o TK-85, um Expert MSX da Gradiente! Óbvio que eu não tinha noção de quanto aquilo custara, mas receio, hoje, ter sido bem caro.
Era um sonho! Com seus infinitos 64 KB de memória, era muitíssimo mais poderoso que o ultrapassado TK-85 do meu primo. Com 16 cores e um canal de som, rodava jogos variados e até uma planilha eletrônica! A armazenagem dos dados era feito por um gravador de fitas cassetes e o sistema operacional vinha gravado na memória ROM da máquina. Era possível programar em BASIC, Assembler e código de máquina, além de executar compiladores para várias outras linguagens como LOGO e Lotus123. Depois vieram os PCs e, já na faculdade, minha calculadora HP 48G tinha mais memória que o meu primeiro microcomputador. E, hoje, todos os 128 KB da calculadora não armazenariam uma única imagem em alta resolução.
Mas, talvez você já esteja se perguntando: o que a Economia tem a ver com a pré-história da informática? Pois bem, eu explico. De lá para cá, o custo do byte armazenado caiu de alguns dólares para virtualmente nada! Não faz muito tempo, um cartão de memória de 1 GB para minha máquina fotográfica digital custava R$ 700,00 nas galerias da rua 25 de Março. Atualmente, com menos de R$ 200,00, você pode entrar em qualquer shopping da cidade e sair com o mesmo cartão só que com 8 GB. E o motivo para essa queda absurda dos preços surge, exatamente, da relação entre os produtores e consumidores.
Em um mercado cujo potencial de consumo possa, virtualmente, ser considerado infinito, os produtores investem ininterruptamente em escala e tecnologia para derrubar o custo dos produtos e, com isso, aumentarem suas margens de lucro. Sem consumidores, entretanto, não há investimentos e o produto, ou encarece — no caso dos essenciais —, ou desaparece. Um bom exemplo foi minha última incursão pelas óticas, onde descobri que um par de lentes — não do par de óculos completo! — podia custar mais caro que um laptop.
Já imaginou no que daria para transformar este país se o governo decidisse investir pesado em pesquisa e tecnologia?
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domingo, 22 de novembro de 2009
Cinco, Quatro, Três, Dois, Um...
Se sua vida estivesse prestes a terminar, se lhe restasse apenas alguns poucos instantes neste mundo, de quais momentos se lembraria? Daquele minuto em que tomou consciência de que não daria tempo para terminar o relatório ou dos segundos em que abraçou um ente querido? Das horas que passou sem dormir por causa daquele compromisso profissional ou daquela fração de segundo de autêntica felicidade entre amigos? Dos dias que passou emburrado por causa de uma discussão inútil no trânsito ou do instante exato em que sentiu aquele frio na barriga ao ver a pessoa amada?A escassez de tempo é uma ótima professora para quem não sabe como priorizar as coisas. Ao aumentar a velocidade do carro, por exemplo, pode-se perceber facilmente como a displicência dá lugar, automaticamente, à atenção focada no que é mais importante ao longo do percurso. O problema é que a velocidade vicia e só quando se para, eventualmente, é que se percebe a infinidade de detalhes importantes perdidos pelo caminho.
É óbvio que a vida profissional e os compromissos sociais são muito importantes, ou ninguém se ocuparia deles. Mas há inúmeros outros aspectos da vida pessoal tão ou mais importantes sendo, muitas vezes, negligenciados. Talvez uma conversa tola em uma roda de amigos, talvez o prazer de ter lido um determinado livro, talvez um simples sorriso arrancado às pressas do rosto de alguém... Coisas que, racionalmente, jamais seriam priorizadas face a uma reunião de trabalho mas que, sem dúvidas, marcam profundamente o espírito de quem as vive.
E foi em uma dessas conversas sem importância que minha querida prima me lembrou disso, dizendo que serão momentos assim que provavelmente relembraremos nos últimos cinco segundos de vida. E provavelmente, todo o resto é maya, como diriam os hindus, ou uma vã tentativa de se alcançar o vento, segundo os cristãos...
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Temporalidades Cósmicas
A TV Cultura está apresentando uma série chamada "Invenção do Contemporâneo" que vai ao ar às 23:59 h de segunda-feira, sendo reprisado às 3:40 h das quartas. São palestras patrocinadas pela CPFL Energia versando sobre os mais diversos temas da contemporaneidade humana. Hoje, o palestrante foi o pesquisador Dr. Darcy Pedro Svisero que falava sobre as "Temporalidades Cósmicas", apresentando teorias e evidências a respeito da dinâmica geológica terrestre e contextualizando os seres vivos, não como agentes, mas como meros participantes nessas mudanças. A palestra pode ser vista integralmente na página da cpflcultura.
Como comentado aqui em outro texto (23/09/09: De volta à realidade!), o período de existência da humanidade é irrepresentável na escala de tempo cósmica. O que dizer, então, do tempo de vida de um único ser humano... Mais ou menos nessa linha, Dr. Svisero vai apresentando uma série de registros geológicos que embasam a divisão temporal por nós concebida, até chegar a recentes observações astronômicas e os atuais limites para o conhecimento humano. Entre esses limites, estão os tempos necessários para eventuais visitas a alguns astros. No caso da Lua, por exemplo, foram necessários cerca de dois dias para se chegar lá. Para outros planetas, voando a cerca de 40.000 km/h (velocidade aproximada de uma sonda espacial), seriam necessários nove meses para se chegar a Marte e por volta de dois anos para se alcançar Júpiter. Já para a galáxia grande mais próxima, Andrômeda, seriam necessários cerca de 68.000 anos!
Teria Deus nos condenado a contemplar apenas uma fração infinitésima de Seu universo?!
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
De volta à realidade!
Uma das formas mais divertidas que uso para calibrar minha impressão sobre mim mesmo é contemplar o mundo à minha volta. Pode-se iniciar pensando na família, nos amigos, na cidade, no país, no planeta com mais de 6 bilhões de pessoas... Cada uma com sua importância e suas dificuldades!
Depois pensando em algo como nos períodos de aquecimento e resfriamento ao longo da história da Terra, com cerca de 140 milhões de anos cada! Toda a história cristã possui pouco mais de 2000 anos... Toda história hebraica, pouco mais de 5700... Toda existência humana, cerca de 200 mil anos, ou seja, uns 0,14% de um único período desses.
E qual era mesmo sua sua idade? Talvez 20, 30, 50, 80... Quem sabe 120 anos!
Saber que toda nossa vida é irrepresentável na escala do tempo da existência, traz um certo conforto com relação aos nossos problemas e nos leva de volta à realidade — não a nossa, mas a do Universo.
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