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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Post Natalis

Nesse ano o bom velhinho nem se lembrou do Automorfo. Passou batido. Não parou para conversar e nem deixou presente. Aliás, sequer mandou um cartãozinho virtual pelo correio eletrônico! Mas não é culpa dele, não. Os tempos mudaram e a política pseudo-sustentável do "fazer mais com menos" certamente o fez engolir aquele papo de "questão de prioridades" sobre o qual insistia tanto no ano passado. Dizem que em uma noite dessas, foi pego gritando com uma rena que se atrapalhara com os próprios pés, atrasando-o nas suas tarefas pré-natalinas. O pior é que, na ocasião, outras renas tomaram as dores da colega e passaram a acusá-lo de não trabalhar em equipe, de querer saber mais do que elas sobre a arte de puxar trenó, de ser desrespeitoso com elas, entre várias outras coisas. Parece que foi, então, obrigado a recolher-se à insignificância de sua função de entregar os presentes, já que a animosidade das renas poderia causar maiores problemas para o natal. E apesar do aparente quadro de estresse do velhinho, continuava trabalhando sozinho, já que, devido à contenção das verbas celestiais, haviam cancelado a contratação do duende ajudante prevista para esse ano.

Mas Papai Noel é duro na queda e na véspera do natal causou um verdadeiro rebuliço alterando seu "status" de relacionamento no perfil de uma rede social. Algumas horas mais tarde, postou explicando que aquilo fora apenas um artifício, aprendido em um de seus recentes cursos de "marketing", para chamar atenção das pessoas para uma data tão importante quanto aquela. Aproveitou para colocar na sua lista de desejos um livro de outro bom velhinho, o Dalai Lama, talvez buscando alguma inspiração para conseguir retornar ao seu estado de equilíbrio e desempenhar melhor seu trabalho em 2012. Mais recentemente, já depois do natal, os comentários davam conta de que ele mal havia finalizado sua especialização em "lean manufacturing", que completara só para ajudar na produção dos presentes, e já estava se matriculado no melhor MBA em gestão de renas do planeta, sem qualquer subsídio celestial. Esse Papai Noel... Não existe mesmo!

Solidário aos esforços do bom velhinho e atento aos anseios de seus leitores, o Automorfo protocolou, na junta natalina, uma petição para receber um presente específico: a não coincidência do domingo com os feriados de natal e ano novo. Segundo seguras fontes internas, parece que o pedido foi concedido por pelo menos os próximos cinco anos, talvez por receio da entidade de que a opinião pública seja negativamente influenciada por este veículo. Assim, com essa boa notícia, este autor deseja a seus leitores uma excelente passagem de ano, com a concretização de muitos dos votos de paz, saúde, harmonia e riqueza, principalmente espiritual, tão comuns nessa época do ano. Que 2012 seja melhor em todos os aspectos e que todos recebam exatamente aquilo que merecem!

Boas Festas!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tempos


Por mais estranho que a afirmação possa soar, a dura realidade é que o tempo não falta a ninguém. Tampouco existe alguém com sobra de tempo — pelo menos neste universo. O tempo — para desespero de alguns — é rigorosamente igual para todo mundo. Seja biliardário, paupérrimo, alto, baixo, gordo, magro, negro, branco, competente, incompetente, ágil, lerdo, bom ou mau caráter, não importa, os minutos disponíveis serão sempre os mesmos. O que diferencia os "tempos" das pessoas não é uma característica imanente da natureza temporal, mas a forma como a cota diária de instantes é empregada na busca pelos próprios objetivos.

Um alto executivo de uma multinacional, por exemplo, poderia olhar para um monge no Tibete e pensar como o mesmo consegue "desperdiçar" tanto do seu tempo, mas o contrário — ou seja, o mesmo pensamento, mas do monge com relação ao executivo — seria, também, igualmente factível. As diferentes análises de uma mesma situação emergem dos diversos pontos-de-vista e, consequentemente, dos respectivos critérios adotados para se estabelecer as prioridades ao longo das próprias vidas. A situação do momento também colabora para uma desigualdade na percepção do tempo, tanto que a história da "velocidade" do tempo ser diferente quando dentro ou fora do banheiro virou piada famosa na internet.

Desde Einstein, entretanto, sabe-se que os modelos físicos preveem uma efetiva alteração no passar do tempo, dependendo da velocidade em que o corpo se desloca. Quanto mais alta for a velocidade de deslocamento, mais lento é o passar do tempo. O efeito foi comprovado experimentalmente colocando-se relógios atômicos (de altíssima precisão), previamente sincronizados com outros fixos, para viajar em aviões durante longos períodos. O efeito, claro, é mínimo, mesmo em velocidades supersônicas, tornando-se significativo apenas em velocidades próximas à da luz — cerca de 300.000 km/s. De qualquer forma, pelo menos neste caso, o executivo que viajasse muitíssimo de avião talvez pudesse, ao final de toda sua vida, gabar-se de ter ganho alguns segundos em relação ao monge.

Bom seria isso funcionasse ao corrermos, como a luz, só para finalizar todos os afazeres que nos propomos...


terça-feira, 6 de abril de 2010

Tentando explicar...


Conta a anedota que, durante uma palestra sobre alcoolismo, o palestrante resolveu demonstrar os efeitos nocivos do álcool no organismo humano. Então, enquanto falava à audiência, sacou dois pequenos béqueres transparentes de sua pasta e, colocando-os à sua frente, encheu-os até quase a borda, um com água e o outro com vodca. Nomeou os conteúdos e explicou às pessoas o que acabara de fazer.

De sua pasta, tirou também um outro recipiente com alguns vermes vivos e, sob os olhares enojados da plateia, colocou um em cada béquer. Deixou tudo ali, sobre a mesa, enquanto apagava as luzes e se dirigia ao computador para mostrar, no telão, as imagens fortes dos fígados de pacientes que haviam morrido de cirrose provocada pela ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.

Ao final da série de imagens, apresentou também várias estatísticas e dados sobre o efeito do álcool nas células nervosas e em diversos outros tecidos do corpo humano. Fez, também, uma breve exposição sobre os problemas sociais causados pelo alcoolismo e os mais recentes avanços na legislação a respeito do tema, dando especial ênfase ao novo Código de Trânsito. No final, motivado por uma das perguntas escritas previamente pelo público, chegou a dar detalhes sobre a pesada tributação das bebidas, como exemplo de política pública para desencorajar o consumo pela população.

Depois de quase uma hora de apresentação, acendeu as luzes e mostrou os béqueres à plateia. O verme que estava mergulhado em água, ainda se mexia dentro do líquido, enquanto que o outro, submerso em vodca, permanecia imóvel, morto, já apresentando, inclusive, leves sinais de desintegração. Certo da incontestabilidade de sua demonstração e já sustentando um certo sorriso de satisfação pelo sucesso da exposição, o palestrante se volta para os presentes, perguntando-lhes o que haviam depreendido daquele teste. E eis que um cidadão se levanta e diz, cheio de certeza:

"Ora, que o álcool mata os vermes no organismo!"


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Soprando...


Contava a anedota que o cidadão havia empenhado as economias de toda uma vida na compra do carro de seus sonhos. Desses, mais modernos, que, a despeito de toda a tecnologia embarcada, mantêm todo apelo de um clássico automobilístico. Saiu radiante da concessionária, mas sua alegria durou o tempo do percurso de alguns quarteirões. Em um cruzamento, outro veículo não parou e acabou colidindo com a lateral de seu carro zero, amassando a porta do passageiro. Desceu do carro em um misto de pânico e fúria, olhou para o estrago e tudo que conseguiu foi pôr-se a chorar, lamentando todo sacrifício que havia feito para adquirir aquele bem.

O outro motorista, que havia avançado o sinal (farol para nós paulistas), pensou logo em uma solução para se safar o mais rápido possível da situação, já receando juntar muita gente por causa do choro desconsolado daquele homem sentado na sarjeta. Foi até ele, pousou uma das mãos em seu ombro e desatou a falar:

— Calma, homem, calma! Por que tamanho desespero!

— Não acredito... A economia de uma vida!

— Ei, fique tranquilo! O carro é novo, não?! Você só precisa assoprar no escapamento que a porta desamassa!

— Quê?! Tá louco?!

— É, ué... O carro é novo, não?!

— Sim.

— Você acabou de tirá-lo da concessionária, certo?

— É.

— Então... Assopre ali no escapamento que a porta desamassa num instante. Esses modelos novos já vêm com a mais recente tecnologia de manutenção. Vai lá, tente! Não precisa se preocupar... Mas eu preciso ir porque estou atrasado... Tchau!

E o infrator, que já ia entrando no carro, sumiu. Enquanto isso, o homem, ainda meio atordoado, pôs sua fé a prova e foi para trás do seu novíssimo modelo abalroado e começou a assoprar no cano do escapamento. Logo um outro cidadão parou e, prestativo, quis ajudar. Perguntou para o desconsolado motorista, deitado atrás do carro, se ele precisava de ajuda, no que ouviu, como resposta, toda a história do ocorrido e a explicação do porquê ele insistia em soprar no cano do escapamento. O que queria ajudar começou a rir:

— Ah... Você deve estar de brincadeira! Acha realmente que vai conseguir desamassar o carro assim?

— Bom, foi o que o outro motorista disse. Por que? Você acha que não funciona?

— Lógico que não funciona! Veja, a porta do motorista está aberta! Como é que você vai encher para desamassar?!


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Gibinha e o Tênis Impermeável...


"Gibinha, todo dia, olhava para a sola meio solta de seu tênis e pensava: "Tenho de trocar logo este tênis antes que eu leve um rola [tombo]". Sua mãe, havia tempo, já lhe tinha dado o dinheiro necessário para que comprasse um calçado novo e até seus amigos, uma vez por outra, alertavam-no: "Cara, essa bagaça [esse negócio] vai soltar e você vai levar um capote [vai cair]!". Mas Gibinha era astuto e tomava todo cuidado para não se acidentar enquanto não decidia aposentar seu velho companheiro de caminhada.

De vez em quando, Gibinha topava na guia da calçada mas dava um jeito de se equilibrar e prestava ainda mais atenção nos seus caminhares subsequentes. Em outras ocasiões, levava um susto com o aspecto horroroso do solado solto e acabava passando um pouco da cola branca que carregava na mochila da escola. Sabia que não estava muito bom, mas confiava que o tênis aguentaria mais um pouco, pelo menos mais alguns dias. Mas estes dias de espera viraram semanas, as semanas, meses, e o tênis, apesar de capenga, lá ia cumprindo sua função.

Certa feita, durante uma dessas chuvas de verão que surpreendem qualquer um, Gibinha foi apanhado pela fúria de São Pedro no caminho entre o ponto de ônibus e sua casa. Ele, matreiro que era, correu rápido para não deixar seu material da escola encharcar como ele próprio já se encharcava com toda aquela água que caía do céu. Chovia a cântaros! Era, como se diz por aí, um verdadeiro toró...

Já chegando ao portão de sua casa, viu a poça d'água e saltou. A sola do tênis, molhado, acabou de se soltar e Gibinha, tropeçando, esborrachou-se no chão. Não só isso, torceu o pé e afogou sua mochila toda naquele pequeno lago formado pela chuva, incluindo seu celular e seu "MP5" que acabara de ganhar.

Uns dias depois na escola, com o pé engessado, explicava as causas de tamanho prejuízo aos seus colegas:

— Não, velho, não foi porque o tênis já tava zuado [estava estragado] não! Foi por causa da chuva! Mó [maior] chuvão, meu! Vocês não viram o os caras da prefeitura falando na televisão que a cidade só encheu de novo porque choveu demais?! Então, o tênis tava beleza [estava bom], o que rolou é que choveu demais! Demais, saca [entende]?!"


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Lenda do Empresário Exemplar.




"Contava a lenda que, em alguma dessas metrópoles contemporâneas, havia um empresário um tanto diferente dos demais... De hábitos comuns, ele, que vivera até então uma vida absolutamente ordinária, acabou por pedir as contas da empresa em que trabalhava para abrir uma lojinha próxima à sua casa. Muitos de seus amigos chegaram até a desconfiar de sua sanidade mental, uma vez que largara um emprego "seguro" para abrir um empreendimento igual a tantos outros naquela redondeza.

Iniciou vendendo exatamente as mesmas bugigangas que seus concorrentes e com o preço um pouco acima do que era praticado por eles. Entretanto, as poucas pessoas que chegavam a entrar ali surpreendiam-se com a simpatia, gentileza e genuína disposição do dono em servi-los bem, independentemente de comprarem algo, ou não. A diferença dos outros lugares era tão grande que as pessoas começaram a voltar só para sentir novamente aquele clima leve e amigável do lugar. Como uma espécie de gratidão, passaram a comprar uma coisa ou outra mais baratinha.

Logo, a lojinha passou a ficar cheia ao longo de todo o dia, praticamente, e os clientes, de tão satisfeitos, não mais se preocupavam em procurar os mesmos produtos mais baratos em outras lojas. Mesmo porque, quando havia qualquer problema em qualquer coisa adquirida lá, o dono da loja fazia questão de trocá-lo e, por vezes, até dava algum desconto em outra compra daquele cliente. Além disso, a lojinha passou a patrocinar alguns programas sociais do bairro, ajudar na coleta seletiva e na plantação de árvores, empregar pessoas da redondeza e até a fazer campanha pela exigência de notas fiscais pelos clientes, apesar de nunca solicitá-las na troca de qualquer produto. Diziam, inclusive, que em raras ocasiões, chegou até mesmo a trocar coisas que sequer comercializava, apenas para agradar pessoas que ele considerava especiais.

Não demorou a abrir outras lojas na cidade, sempre com o mesmo princípio de atender o cliente da melhor forma possível. Vez ou outra, tinha problemas com pessoas desonestas, mas o crescente fluxo de novos clientes, originados pelos cometários de seus satisfeitíssimos fregueses, superava, e muito, os eventuais prejuízos.

E como crescia muito, teve de selecionar e contratar várias pessoas para conduzir seus negócios, sempre as escolhendo pelo caráter e disposição de se desenvolver. Trabalhavam para ele desde gente com excelente formação escolar até quem mal sabia ler e escrever. Todos, entretanto, eram muito educados, humanos, simpáticos, prestativos e repletos de preceitos morais. O empresário também fazia questão de incluir nos benefícios, aquilo que melhor se adequasse às necessidades do funcionário, chegando até a patrocinar a instalação de uma creche, bem próxima a uma de suas lojas só para que uma funcionária, mãe solteira, pudesse trabalhar mais tranquila. Assim, muita gente queria ser empregada por ele...

Percebendo uma oportunidade, investiu quase que a totalidade de seus lucros de seu comércio na construção de uma pequena indústria. A fábrica produziria, exclusivamente, para atender seu comércio mas, concebida nos mesmos moldes, logo cresceu e passou a atender também as lojas de seus concorrentes. A partir daí, seus negócios cresceram exponencialmente.

Quando estava próximo de se tornar o maior pagador de impostos daquele país, o empresário sumiu sem deixar rastros. Após algum tempo, declarado legalmente morto, a fundação que criara para cuidar de seus negócios acabou por vender o controle das operações para grandes organizações concorrentes e se transformou em mais uma ONG comum. Toda aquela filosofia de trabalho acabou absorvida pelos complexos sistemas de gestão corporativa dos controladores foi esvanecendo até sumir por completo. Tudo voltara a ser como antes de surgir aquela pequena lojinha de bairro.

Alguns dizem que o empresário se cansou e foi viver uma vida mais tranquila. Outros acham que ele era um homem santo e, vez por outra, acendem velas e pedem para que ele interceda, de onde estiver, nos costumeiros problemas com produtos e serviços da cidade. Mas o fato, mesmo, é que nunca mais ninguém viu aquele empresário..."

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Pergunta idiota, tolerância zero!"

Quem não se lembra do quadro "Saraiva", interpretado pelo saudoso Francisco Milani no programa Zorra Total da Rede Globo? Bom, se não se lembra, não poderia lhe culpar, já que o quadro era um dos poucos realmente engraçados em todo o programa...

O "Saraiva" — e o Milani encarnava perfeitamente a personagem — era um cara absolutamente "estressado" com perguntas óbvias ou imbecis, muito comuns em nosso cotidiano, mas que acabamos não dando atenção e respondendo quase que automaticamente. Lembro-me de uma das passagens, quando Saraiva e sua inseparável "Carolininha" — que sempre tentava mantê-lo calmo — vão a uma banca na feira livre:

— Por favor, o senhor pode me ver uma dúzia de bananas?
— O senhor vai levar?
— Não... Não! É pra agora mesmo! Vou comer uma dúzia de bananas bem aqui na sua frente e cair duro de congestão!

O texto era mais ou menos assim, mas já dá para se ter uma ideia do humor da personagem. Mas por que me lembrei disso? Porque a grande maioria dos atendimentos de "telemarketing" desafiam a paciência de qualquer cristão que tente resolver um problema, por mais simples que seja. Não importa a empresa ou o setor, estatal ou privado, nem o meio de contato — telefônico, eletrônico ou presencial — você não vai conseguir fazer com que seu problema seja entendido de pronto. E, se por um acaso conseguir, não o terá resolvido facilmente.

Qual seria a necessidade de se existir alguém para dizer, simplesmente, que "o sistema funciona dessa forma"? Ou, para que serve uma ouvidoria que nada pode fazer além de "alimentar relatórios para  as instâncias superiores"?

Noutro dia, já sem paciência com o atendimento de uma das "teles", recorri à agência reguladora, já que, de fato, um dos problemas, além da já costumeira má vontade da empresa, era na regulação do setor. Quem disse que alguém entendeu o problema? Já sem paciência de novo, dessa vez com a agência, formulei um questionário com três perguntas do tipo "sim-ou-não" e solicitei à ouvidoria que, simplesmente, respondesse-me por escrito. Há mais de um ano estou aguardando a resposta...

Em tempos de redução de custos, por que não acabar com todo esse aparato já que para nada serve? Aí, quem sabe algum "Saraiva" de alguma diretoria perca a paciência de vez e queria solucionar o problema de fato?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Termodinâmica a Sua Bendita Segunda Lei.


A Termodinâmica estuda sistemas macroscópicos e suas transformações. É uma disciplina absolutamente útil para a física, a química, a engenharia e outros tantos campos de conhecimento humano. Para quem não tem a menor ideia do que isto se trata, sugiro ler a definição muito bem humorada do Luiz, meu colega de blog e de profissão.

Grosso modo, pode-se dizer que, de certa forma, até um regime para emagrecer está ligado à matéria. O acúmulo de energia interna, definida na Primeira Lei, por exemplo... Se você ingere uma certa quantidade calórica, esta é metabolizada e transformada em energia que, se não gasta, acumula-se internamente ao sistema na forma de... Gordura. Assim, ao se comer menos, gera-se menos energia o que, eventualmente, impossibilitará seu acúmulo e até conduzirá seu organismo a consumir a energia previamente armazenada. Aumentar o gasto energético, acabando com o sedentarismo, por exemplo, poderia ser uma alternativa para emagrecer — o  que, na minha opinião, seria mais saudável e menos penoso do que diminuir a comida.

Mas a curiosidade fica, mesmo, é com o bendito Segundo Princípio, no qual se define uma grandeza chamada de entropia: uma espécie de medida da desordem do sistema. Por exemplo, suponha um quebra-cabeças como sendo o sistema. Quando montado, apresenta entropia mínima e quando desmontado, máxima. Ou seja, a cada peça tirada do lugar, a entropia aumenta uma fração. Seria muito simples, não fosse o que estabelece a Segunda Lei: a entropia de sistemas isolados tendem sempre a aumentar para um valor máximo. Surge, então, a pergunta: como se montam os quebra-cabeças?

Pois é... Para resumir a história, ao considerar o universo como um sistema isolado, toda vez que a entropia diminui — montando-se um quebra-cabeças, por exemplo — de alguma forma a desordem no universo aumenta. Em outras palavras, qualquer ordenação feita resulta em uma desordenação maior do universo. O efeito disto é que tudo tende à desorganização! Você tem de gastar energia para se organizar, mas nunca para se desorganizar...

Não acredita? Pare de dar atenção ao local onde coloca as coisas em sua mesa e vai perceber rapidamente o caos se instalar. Ou tente escrever um texto como este e sinta as ideias se debatendo em seu cérebro e o esforço que se faz para que sejam organizadas de uma maneira adequada...

Parece brincadeira, mas quase tudo acaba dependendo da bendita Segunda Lei da Termodinâmica. Não só para os engenheiros, mas para os administradores em sua gestão diária, para os médicos em seus esforços de salvar vidas, para a os policiais mantendo a lei e a ordem, etc.

Seria bom isto funcionasse de forma contrária... Imagine se pudéssemos sacudir a caixa do quebra-cabeças e este sair montadinho! Mesmo menos divertido, seria bem mais útil: o quarto da gente ficaria sempre arrumado!