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sábado, 1 de maio de 2010

O Dia Internacional do Trabalhador


A comemoração pelo Dia do Trabalhador tem sua mais remota origem na cidade de Chicago, EUA, quando, no 1º dia de maio de 1886, irrompe uma manifestação pela redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Seguiram-se dias de violência nos quais policiais e manifestantes se enfrentaram, deixando mortos e feridos de ambos os lados. Três anos depois, na Europa, a Segunda Internacional, cisão marxista da Associação Internacional dos Trabalhadores, decide convocar anualmente, no 1º dia de maio, uma manifestação de luta pela redução da jornada laboral. Em 1891, outro episódio violento com vários manifestantes mortos, dessa vez em Paris, reforça a data como o dia internacional das reivindicações dos trabalhadores. Entretanto, apenas no início do século seguinte, em 1919, o senado francês ratifica a jornada de oito horas diárias de trabalho, proclamando feriado nacional o dia 1º de maio naquele ano.

Nos EUA, o "Labor Day" é comemorado na primeira segunda-feira de setembro, sendo, também, um feriado nacional por lá. E, apesar de manter um certo vínculo com a causa trabalhista, está muito longe do viés socialista patente nas demais comemorações de 1º de maio em outros países ao redor do mundo. Casualmente ou não, a tradução direta do "Labor Day" estadunidense para "Dia do Trabalho" tem aparecido com uma certa frequência ao se referir a 1º de maio. Mas, pelo menos em português, "Dia Internacional do Trabalho" tem um significado radicalmente distinto de "Dia Internacional do Trabalhador", o que transforma uma inocente imprecisão linguística em um polêmico erro ideológico.

Seja como for, para se entender o real significado do feriado de 1º de maio, basta analisar comparativamente a forma como os Estados enxergavam — legislativa e juridicamente — as relações de trabalho logo após a Revolução Industrial, no final do século XIX, e depois, na atualidade. Sem pretender retornar à eterna questão levantada por Marx, ficam evidentes não apenas as conquistas dos trabalhadores como, também, a inegável influência do poder econômico, tanto na política quanto na sociedade. E, relembrando os mártires da luta trabalhista ao longo da história, são esses os avanços sociais a que se referem as celebrações do Dia Internacional do Trabalhador.

Portanto, a todos os trabalhadores que cedem parte de suas vidas para poderem sobreviver dignamente, parabéns! Hoje é um dia muito importante para todos vocês...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Dogmas Subliminares


Se segunda-feira, o governo decretasse que você teria direito a receber seu salário sem trabalhar, o que você faria? Pararia de fazer o que faz todos os dias ou continuaria a fazê-lo por "hobby"? Mudaria de atividade? Buscaria um serviço voluntário? Ficaria mais com a família? Viajaria?

Imagine uma sociedade — absolutamente utópica, claro — na qual as pessoas pudessem exercer as atividades que mais gostassem, sem que houvesse qualquer vínculo entre o exercício das mesmas e as respectivas remunerações. Médicos clinicariam pelo prazer de restabelecer a saúde de seus pacientes. Professores ensinariam pelo prazer de transmitir seus conhecimentos de forma efetiva a seus pupilos. Faxineiros asseariam os ambientes pelo prazer de ver os usuários se sentido bem. Advogados advogariam pela justiça. Políticos serviriam à população...

Dificílimo de imaginar, não? Até um um mundo totalmente estranho, cheio de seres bizarros, seria mais fácil de ser visualizado em nossa tela mental. Esta tensão entre o real e o imaginário, no que tange certas convenções sociais, não ocorre por acaso, mas sim porque, às vezes, é muito difícil encontrar justificativas, racionais e consistentes, para manter determinadas ideias apenas no plano do impossível. Deve ter sido assim para os escravos, antes de começarem a surgir os primeiros ideais abolicionistas, ou para as mulheres do início do século XIX, quando os brinquedos infantis objetivavam ensiná-las a serem boas donas-de-casa.

Atualmente, a escolha do próprio trabalho, que deveria ser exclusivamente pela vocação, por vezes é feita com base na remuneração e/ou no "status" social que a profissão pode proporcionar, gerando uma legião de profissionais insatisfeitos. E esta insatisfação, às vezes, chega a tal ponto que alguns sentem até uma certa inveja quando um migrante, sobrevivendo miseravelmente na maior cidade da América Latina, resolve largar seu sub-emprego e voltar para sua terra natal, vivendo, talvez, tão miseravelmente quanto antes, mas com toda família ao seu redor e sob patrocínio de algum benefício social do governo. Sim, inveja porque ninguém deseja o mesmo destino que o migrante terá, mas, apenas que ele permaneça ali, exatamente, onde estava antes de aparecer aquela alternativa.

E se algo assim acontece de verdade, há duas formas de se compreender o ocorrido. A primeira é achar que a assistência social do governo anda pagando bem demais e a segunda, que alguns empregos pagam mal demais. Qual é a sua opinião?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Engenheirando o Futuro


Domingo passado saiu uma notícia na Folha de São Paulo sobre o aumento na procura pelo curso de engenharia civil. De acordo com a reportagem, a oferta de vagas nos cursos de graduação não acompanhou a demanda, ficando cerca de 30% abaixo desta no mesmo período. A resistência das instituições de ensino em abrir novas turmas se deve, muito provavelmente, aos altos e baixos do mercado de trabalho que essa profissão experimenta, exaustivamente, ao longo de anos no Brasil.

Ainda segundo a reportagem, sugere-se que a construção civil anda sofrendo um "apagão" de mão-de-obra, algo que deve piorar muito com a aproximação da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016, no país. O governo vem pensando em financiar a expansão do número de vagas nos cursos de graduação, mas não há solução imediata possível, já que, se a quantidade de vagas aumentasse neste exato momento, os primeiros engenheiros só estariam formados em 2015 — pelo menos no meu tempo, eram necessários dez semestres para se formar um engenheiro civil.

Mas se a situação é periclitante e a falta de mão-de-obra é, assim, tão grave, como podem existir tantos anúncios pretendendo contratar engenheiros civis por baixos salários? Basta abrir qualquer classificado de empregos para encontrar várias ofertas de trabalho, para engenheiros formados, com vencimentos mensais dignos de estagiários. Algo similar também ocorre com outros profissionais, como os ligados à área de tecnologia da informação, cuja escassez de mão-de-obra também é frequentemente alardeada.

Se você conhece alguns engenheiros civis, deve saber que há vários deles trabalhando em áreas absolutamente diversas de sua formação acadêmica. Alguns por opção, claro, mas, sem dúvida, muitos por conta dos baixos vencimentos pagos à categoria. A falta de vagas nas universidades e a escassez de mão-de-obra são os sintomas, não as causas, do problema. Não parece, portanto, que haja um "apagão" de mão-de-obra especializada, mas, sim, muito pouco interesse em remunerar adequadamente o profissional.

Talvez o sufoco da Copa e da Olimpíada sirva, pelo menos, para mostrar que a valorização do profissional — não somente engenheiros, mas todos os demais — é muito mais importante, em longo prazo, do que obter margens de lucro exorbitantes apenas algumas poucas vezes. Ganhar menos, mas ganhar sempre, pode ser muito mais interessante, tanto para o bolso dos investidores quanto para o futuro do país.



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Profissões Admiráveis


Dentre as inúmeras atividades humanas, uma das mais admiráveis é a política. E antes que você comece a duvidar da sanidade mental do autor deste blog, sugiro que, primeiro, leia o texto até o final para, só depois, tirar suas próprias conclusões a respeito da afirmativa, ok?!

Pois bem, é um hábito admirar o trabalho daqueles cuja ocupação é mais complexa ou perigosa que o usual, tal como um soldador-mergulhador de plataformas marítimas de petróleo, pilotos de caça ou astronautas. Ou mesmo de profissionais tradicionais, mas cujos resultados superem a média das expectativas, como engenheiros com técnicas inovadoras, hábeis advogados engajados socialmente, médicos abnegados, artistas de estética inquestionável, filósofos, psicólogos, professores, administradores, enfim, uma verdadeira miríade de trabalhadores admiráveis, cada qual na sua área específica de atuação.

Há, entretanto, inúmeras outras profissões pouco admiradas, porém, não menos importantes. O que dizer dos garis que, a despeito do pouco caso de muita gente formada, mantém o asseio das áreas comuns nas cidades grandes? Ou das cozinheiras responsáveis por alimentar um batalhão de crianças — talvez até um filho seu — nas escolas públicas? E se ainda não percebeu o altíssimo valor do trabalho dessas pessoas, basta comparar as diferenças no seu ambiente de trabalho após as ausências, primeiro, de seus superiores e, depois, do pessoal da limpeza, por apenas uma semana. Verifique quem fará mais falta... Sem mencionar o fato de que raríssimas pessoas trocariam de lugar com esses trabalhadores, mesmo sem redução de seus ganhos atuais.

E é mais ou menos neste pé que entra a citada admiração pela política. Para uma pessoa de princípios, deve ser tudo, menos fácil, ter de assumir, publicamente, determinadas posições políticas. Imagine-se tendo de apoiar, ou não, o aumento de mais de 90% do próprio salário enquanto vota a favor, ou contra, a elevação da alíquota de imposto, ao mesmo tempo em que milhares de pessoas sofrem as agruras de alguma catástrofe "natural". Vizualize-se em uma reunião anual de planejamento orçamentário, com assessores lhe assoprando nos ouvidos inúmeros dados, como o aumento de X% na mortalidade infantil e Y% na taxa de homicídios, enquanto o povo aguarda sua decisão se vai ou não liberar o dinheiro — o único disponível para todos os problemas — para abrir mais vagas, necessárias há anos, nas escolas e creches públicas.

Mesmo para os de moral, digamos, manca, deve ser algo complexo manter-se incólume em meio aos disparos, cada hora de um lado. A vida de um político de conduta dúbia deve ser tão eletrizante quanto uma apresentação de mágica, na qual um cara amarrado, acorrentado e trancafiado em um cofre atirado ao mar, tem de sair ileso da situação em apenas alguns segundos — e sai! Da mesma forma, parece nunca haver saída para o político moralmente manco, uma vez que não importa muito o que faça — certo, errado ou nada — ele sempre está sob risco de ser fuzilado por algum dos lados, seja pelos seus pares, opositores ou eleitores — mas, raramente o acertam! Por causa de tudo isso, tanto quanto as demais ocupações preteridas, também bem pouca gente se disporia a viver dessa maneira.

Portanto, esqueçamo-nos dessa história de "vida fácil" dos políticos e, como ativos participantes de um legítimo sistema democrático, concentremo-nos nas nossas próprias atitudes, de forma a torná-las efetivas na construção de uma sociedade melhor. Como comentado em outra postagem, "Brasília", os políticos que aí estão representam de forma relativamente fiel o conjunto da sociedade brasileira. Porque, enquanto parte dos cidadãos continuar escolhendo seus representantes com base nos benefícios que terá para si, sempre haverá parte dos políticos agindo da mesma forma, ou seja, também buscando auferir benefícios para si e não para os outros — que, neste caso, somos nós.



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O mundo é dos "puxa-sacos".


À despeito da educação formal e familiar que nos ensina a importância de valores como empenho, seriedade, profissionalismo, etc., o mundo é dos "puxa-sacos"! Basta uma rápida olhada ao redor. Quem nunca presenciou a atuação desses seres no seu cotidiano?

Eles estão espalhados por toda parte: corporações, comunidades, universidades, instituições ou onde quer que haja algum tipo de relação social. São parasitas velados da sociedade que vivem sugando o fluido pegajoso que corre nos "vasos-de-poder", leia-se: autoridades.

É triste, mas olhando por um prisma darwiniano, trata-se apenas de uma adaptação da espécie às condições impostas pelo meio ambiente. Traduzindo: só existem "puxa-sacos" porque a sociedade está repleta de gente que gosta e se apoia neste tipo de relação. A questão, portanto, não são os "puxa-sacos" mas o que os alimenta...

Onde quer que uma pessoa atue, cedo ou tarde encontrará um desses exemplares em seu caminho. E quando isto ocorrer, o reconhecimento de seu trabalho dependerá da sua capacidade de se adaptar, tornando-se também um "puxa-sacos", ou de dominar a situação pelo uso de toda a inteligência, racional e emocional, disponível. A escolha é difícil porque a tarefa é, de fato, muito dura. Mas saber da existência do problema e, de forma ética, contorná-lo teria a vantagem de evitar a metástase desse câncer social.

Será a "Evolução das Espécies" aplicável neste caso?